Ataque de Israel e EUA ao Irã eleva custos de diesel, frete e fertilizantes; entenda como o XPCA11 está posicionado e o que diz o gestor
Relatório fresquinho do XP Crédito Agrícola FIAgro, o XPCA11, com dados de fevereiro de 2026. O fundo entregou R$ 0,12 por cota, o que representa um yield mensal de 1,35% e um anualizado de 20,56%*, um número que certamente chama a atenção. Mas o que realmente impulsionou esse resultado e quais foram os movimentos da gestão em um mês marcado por tensões geopolíticas no Oriente Médio? Será que o fundo está bem posicionado para navegar nesse cenário de incertezas? Vamos analisar.
APRESENTAÇÃO DO FUNDO
O XP Crédito Agrícola FIAgro (XPCA11) é um fundo gerido pela XP Vista Asset Management Ltda. e administrado pela XP Investimentos CCTVM S.A. . Sua estratégia é clara: auferir ganhos investindo em ativos financeiros com lastro no agronegócio, como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e cotas de Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro). Com um patrimônio líquido de R$ 443,45 milhões e uma base de 94.161 cotistas, o fundo já tem uma escala considerável no mercado.
DADOS DA COTA (PONTO DE ATENÇÃO ⚠️)
Um ponto que merece destaque é a relação entre o valor da cota no mercado e o seu valor patrimonial. Enquanto o valor patrimonial da cota em fevereiro era de R$ 9,74, a cota fechou o mês sendo negociada a R$ 8,88. Isso representa um deságio de 12,2%. Na prática, significa que o investidor que compra a cota no mercado secundário a esse preço está pagando um valor 12% inferior ao que o fundo possui em patrimônio líquido por cota.
Para quem está comprando agora, esse deságio pode representar uma oportunidade de adquirir os ativos do fundo com um desconto. No entanto, também pode ser um sinal de que o mercado está descontando algum risco, seja o ambiente macroeconômico desafiador para o agro ou os casos pontuais de crédito que o fundo monitora. É um ponto de atenção que merece ser acompanhado.
DIVIDENDOS (PONTO POSITIVO ✅)
O XPCA11 distribuiu R$ 0,12 por cota no dia 13 de março, com base na posição de 27 de fevereiro. Esse valor gerou um yield mensal de 1,35% sobre o preço de fechamento da cota (R$ 8,88) e um yield anualizado de 20,56% . Olhando os últimos 12 meses, a distribuição média foi de R$ 0,1097 por cota, o que também mostra um patamar elevado e consistente.
O resultado contábil do fundo no mês foi ainda maior, de R$ 0,1634 por cota, indicando uma distribuição com um payout de aproximadamente 73% sobre o resultado competência. O gestor explica que o resultado positivo foi impulsionado por compras oportunísticas no mercado secundário, como a do CRA da UISA com taxa de CDI + 4,30% ao ano, que elevou o spread médio da carteira. Além disso, as receitas de CRA em regime de competência somaram R$ 7,65 milhões, um bom valor comparado aos meses anteriores.
COMPOSIÇÃO DA CARTEIRA (PONTO POSITIVO ✅)
A carteira do XPCA11 é predominantemente composta por Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), que representam 72,7% dos ativos. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) Fiagro aparecem em seguida, com 22,0%, uma estratégia que o gestor utiliza para diversificar as operações de forma pulverizada.
Em termos de indexadores, a carteira é majoritariamente atrelada ao CDI (90,2% do book), com uma taxa média de aquisição de CDI + 3,99% ao ano (e uma taxa de marcação a mercado de CDI + 2,95% a.a.). A parcela atrelada ao IPCA representa 9,8% do book, com uma taxa média de IPCA + 8,41% a.a.
A diversificação geográfica também é um ponto positivo, com os ativos distribuídos pelas principais regiões agrícolas do Brasil, diluindo o risco de problemas climáticos ou operacionais localizados. A alocação é bem distribuída, com os maiores devedores (Minerva, OPI Crédito Agrícola e ACP IV) representando percentuais em torno de 5% a 7% do PL cada, o que evita uma concentração excessiva em um único risco.
MOVIMENTAÇÕES DO MÊS (PONTO POSITIVO ✅)
A gestão demonstrou estar ativa no mês, realizando movimentações que buscaram melhorar o retorno e o perfil da carteira. Foram realizadas vendas de CRAs de risco UISA (R$ 1,57 milhão) e Itaueira (R$ 1,17 milhão), ao mesmo tempo em que investiu R$ 3,56 milhões em um novo CRA da UISA com uma taxa de CDI + 4,30% a.a., um movimento considerado oportunístico pela gestão. Complementaram-se também posições no CRI Agro da Cibra (R$ 5,02 milhões) e no CRA da Minerva (R$ 3,00 milhões).
O destaque foi a nova aquisição do CRA da UISA, uma grande biorrefinaria do Centro-Oeste. A operação conta com garantias como Aval e Alienação Fiduciária de Imóvel, e veio para "melhorar o spread médio da carteira", segundo o comentário do gestor. Essa troca de ativos com foco em melhora de rentabilidade é uma sinalização positiva.
ATUALIZAÇÕES DE CRÉDITO / RISCOS (PONTO DE ATENÇÃO ⚠️)
O relatório é transparente ao abordar o principal ponto de risco da carteira: o caso da Agrogalaxy. O gestor confirma que a empresa está em recuperação judicial (RJ) desde setembro de 2024. O fundo possui duas exposições à Agrogalaxy:
CRA022009KI (Agrogalaxy): R$ 9,56 milhões (2,16% do PL)
CRA02300AC9 (Agrogalaxy Sr.): R$ 17,57 milhões (3,96% do PL)
No total, a exposição soma R$ 27,13 milhões, ou 6,12% do patrimônio líquido do fundo. O relatório destaca que, além desses, todos os demais devedores estão adimplentes. A gestão menciona que monitora de perto o setor e que, para essa operação específica, as garantias existentes (como Cessão Fiduciária de Recebíveis e fianças) estão em análise. É, sem dúvida, o principal ponto de atenção e o maior risco de crédito atual para o fundo. O resultado de fevereiro e os próximos dependerão diretamente do desfecho dessa recuperação judicial.
CENÁRIO MACRO
O relatório traz uma análise robusta do cenário macroeconômico, com foco nas tensões geopolíticas entre Israel, EUA e Irã. O gestor explica que o conflito eleva os custos do agro em três frentes: energética (petróleo e diesel), logística (fretes e seguros) e fertilizantes (ureia). A alta no preço da ureia impacta diretamente o custo de produção, principalmente do milho safrinha.
A visão da gestão é que os produtores que compõem a carteira do fundo já haviam realizado a compra de ureia para a safrinha, mitigando o impacto no curto prazo. Esse cenário, embora desafiador, reforça a tese de gestão ativa do fundo, que busca produtores bem fixados e com políticas de hedge definidas, um ponto que ajuda a proteger a carteira de crédito.
LIQUIDEZ
Com uma média diária de liquidez de R$ 1,13 milhão em fevereiro, o XPCA11 apresenta uma liquidez robusta para um fundo de seu porte (R$ 443 MM de PL). Esse volume é mais que suficiente para investidores pessoa física entrarem e saírem de suas posições sem grandes dificuldades.
CONCLUSÃO
Em resumo, o XPCA11 teve um mês de fevereiro marcado por resultados positivos, com um yield anualizado de 20,56% e uma gestão ativa que buscou oportunidades para melhorar o spread da carteira. A estrutura de diversificação, tanto em termos de ativos quanto geográficos, continua sendo um ponto forte.
No entanto, os pontos de atenção são claros e não podem ser ignorados: a recuperação judicial da Agrogalaxy, que representa cerca de 6% do PL, é o principal risco de crédito e exige monitoramento constante. Além disso, o deságio de 12% da cota em relação ao seu valor patrimonial pode refletir a precificação desse risco pelo mercado.
A capacidade da gestão em administrar esse caso de crédito, sem impactos negativos significativos na distribuição de rendimentos, será o fator determinante para o desempenho do fundo nos próximos meses. Para o investidor que está de olho no setor de agro, o fundo combina um yield atrativo com uma gestão ativa, mas exige um apetite ao risco maior e a disposição para acompanhar de perto os desdobramentos da Agrogalaxy.
Isso não é recomendação de investimento.
xpca11 relatório gerencial fevereiro 2026 pdf
https://fnet.bmfbovespa.com.br/fnet/publico/exibirDocumento?id=1146038&cvm=true

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